CULPA

está no ar: culpa.cc — pré-venda até o dia 27 de maio, com 15% de desconto.

atenção: tiragem limitadíssima. o livro será enviado em junho.

CULPA É FIO CONDUTOR NA ESTREIA DE ISHAK COMO CONTISTA

Após seis anos longe das prateleiras, ao menos em carreira solo, o jornalista e escritor Caco Ishak está de volta com o livro de contos Culpa. Projeto selecionado pelo Edital de Livro e Leitura – Lei Aldir Blanc Pará, trata-se da quarta publicação autoral de Ishak, sua estreia como contista – e independente.

Com orelha de Fernanda D’Umbra e prefácio de Bibiana Leme, capa com arte do paraense Tiago Trindade sobre ilustração do santista Kael Kasabian, o livro traz nove contos, nove histórias de temáticas diversas que compartilham um mesmo fio condutor: a culpa. Nas acepções psicológica, social e/ou jurídica.

A carta de um clandestino político a sua camarada, à esquerda em geral; a tragédia de uma brasileira trancada no apartamento com sua avó morta pela Covid-19 em tempos de quarentena; as memórias de um palestino sobre os crimes de guerra praticados por Israel; um indígena torturado por um fazendeiro e seus capatazes por causa de um bucho de boi; a alienação parental contra um pai que se assumiu homossexual após o divórcio; uma menina de rua engravidada por um padre; a vingança de uma gangue do Jurunas contra um jornalista chapa-branca; uma vida impune de acidentes no trânsito causados por um playboy; um publicitário machista e abusivo que decide agenciar mártires da sociedade. Gatilhos por todos os lados.

Personagens de um cotidiano bélico, doloso em sua falta, que teima em não ser esquecido pois simplesmente não há perdão possível. A mensagem é clara: somos todos culpados. Para ficar nas palavras de José Saramago: “Tanto é o que precisamos de lançar culpas a algo distante quando o que nos faltou foi a coragem de encarar o que estava na nossa frente.”

Devido à pandemia, não haverá lançamento presencial do livro. Com tiragem limitada, a pré-venda, que será realizada no site culpa.cc, começa no dia 21 de abril e segue até o dia 27 de maio, quando Ishak completa 40 anos de idade, celebrados com uma live de lançamento cujos convidados surpresa, local e hora serão divulgados nas mídias sociais do autor – as poucas que ainda restam.

OBS: 15% de desconto na pré-venda. O livro será enviado em junho.

OBS2: Os compradores na pré-venda concorrerão ao sorteio dos últimos cinco exemplares do primeiro livro de poesia do autor, “Dos versos fandangos” (2006), há muito esgotado. Também com dedicatória.

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PREFÁCIO

Bibiana Leme

Este livro é um expurgo. Sintoma de doença malcurada, herdada, cujo remédio nunca acertamos.

Caco Israque (se lê assim) faz aqui um mea machina culpa. Vivemos, afinal, no tempo dos robôs e dos sistemas. Clicamos em “aceitar” e seguimos em frente, sem nunca ler os termos desta nova sociedade. De(s)controle. Mas as pessoas, por serem mais baratas, ainda fazem o trabalho sujo.

Em nome da facilidade, vemos a realidade se distorcer cada vez mais, todos os dias. Testemunhamos a desigualdade, a injustiça, a sacanagem. E ou sentimos muita culpa ou não sentimos nenhuma. Não conseguimos jamais estabelecer uma relação razoável com a culpa. A justa medida.

Agora, porém, que o céu caiu na nossa cabeça, não adianta negar que estamos vendo, porque ele tem peso. Votamos no professor. Ou ao menos não votamos no torturador. Muito bem. Fizemos o mínimo. Mas quantas vezes fazemos algo pelo simples fato de que é justo? O que você faz quando ninguém está vendo? Que culpas carregamos escondidas?

Não há final feliz garantido para nós. Não há deus ex-machina. Há sujeitos. E sujeitas. Mesmo por trás das máquinas. Nossa máxima culpa, a que nos cabe neste latifúndio improdutivo.

Não conseguimos entender que uma sociedade doente é um indivíduo doente é uma sociedade doente… A tampa da privada de um banheiro público será deixada igualmente suja, para que “alguém” a limpe, esteja ela num shopping center rico ou num shopping center pobre.

É justo que uma criança que ama seu pai, e que tenha um pai amoroso, não precise derrubar o muro da calúnia para conseguir enxergá-lo. É justo que as fronteiras sejam mais gentis com as pessoas que com as mercadorias. Que a força desigual não seja jamais usada por quem sabe a dor que ela provoca. É justo viver sem muros. É justo, sempre foi justo. O micro e o macroespaço são reverberações. Juntos habitamos um planeta, mas não conseguimos coabitá-lo. Uma tia gagá desgarrada, uma criança de rua babada e encantada, um poodle sem dentes que achou por bem desertar, vingadores periféricos da memória de uma jovem vítima de feminicídio, toda uma sociedade das margens. Marginal é o que nos cerca. E, no centro deste livro, curiosamente, habita um enfant terrible. A criança que tem tudo nas mãos e não quer. Mas não quer com tamanha força que precisa destruir tudo que tem. Tudo que existe.

As palavras de Ishak são capazes do asco e da frase mais saltitante. Psicógrafo de uma vida que oscila a cada segundo entre a luz e a sombra. Quem bate à porta traz a janta ou a morte? A resposta está em nossas mãos, como contou Toni Morrison em seu discurso do Nobel: algumas crianças vão a uma anciã cega para pregar-lhe uma peça e perguntam se o pássaro que têm nas mãos está vivo ou morto. Eu não sei, mas está em suas mãos, diz a mulher. A resposta entre a vida e a morte passa pelas nossas mãos todos os dias, em maior ou menor escala.

Coabitar é risco. Escrever é risco. Coabitar o espaço mental com o outro. A outra.

Aqui jazem os cacos de Ricardo Ishak.

About caco ishak

deu pau no servidor da verbeat
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