Livros

cowboy_capa“O alter egocêntrico e autoboicotador serial Carlo Kaddish de Caco Ishak é neto dos errantes beats mas erra sempre que tenta sair do lugar, uma Belém pós-tudo que bem poderia ser Xangai e onde o nervo da contemporaneidade lateja sem trégua. Façanha de linguagem estetizada que às vezes sugere um enxerto absurdo de Riobaldo com Rick Deckard, ‘Eu, cowboy’ atira para matar. Entra por um ouvido e duvido que saia pelo outro tão cedo.” (Sérgio Rodrigues, 2015)

“Aos 27, ou você se entrega e vira epitáfio imortal em Père Lachaise ou junta seus amigos num Challenger e segue pro México. O alter ego Ginsbergiano de Caco Ishak fica entre as duas opções, escrevendo um livro pros que andam errado, pros que sabem que a dois é impossível. E por mais que tente negar, não disfarça, ‘não bloqueia os fatos’. Escreve na velocidade das turbinadas diligências da Wells Fargo, como se ‘fracasso’ fosse uma substância fatal e inevitável e, ao mesmo tempo, o antídoto pro mal (?) que aflige aqueles que acordam todos os dias tentando ‘odiar um pouco menos a humanidade’.” (Mário Bortolotto, 2015) Aqui, orelha de Marcelino Freire.

npdetcapaNão Precisa Dizer Eu Também (2013) é a segunda coletânea de poesia do escritor e tradutor literário goiano (radicado em Belém) Caco Ishak. A obra reúne 36 textos escritos entre 2007 e 2010 (e uma ilustração assinada por Fábio Vermelho). Segundo o escritor paulista Marcelo Montenegro, “ao abrir o livro, a sensação é a de estar removendo uma espécie de curativo. De um circo-ferida no qual – e no fim das contas – o tempo é – ao menos, deveria ser – o maior acrobata de todos”. Não Precisa Dizer Eu Também seria, no fundo, e ainda de acordo com Montenegro, um livro de amor. Ishak, porém, diz não precisar do amor. Mas lê Susan Miller. Talvez, não acredite em nenhum dos dois. Nem duvide. Um pé na estrada vintage da iconoclastia cyberpop, outro na paternidade.

mp“Aqui, Leitor, um livro que alicerça uma única história, sugerindo a desistência para, traiçoeiramente, afirmar a paixão pela vida, apesar de reconhecer como verdadeiro par da existência a fatalidade. Aqui, há palavras febris programando um niilismo-barroco e, portanto, o paradoxo: trajetos na madrugada, minados de incerteza.  Não se engane com a simplicidade ou o falso-juvenil da algumas passagens. Há uma concisão propositalmente dispensada, um mergulho sem ar, quase sem luz, em busca da beleza e de um sentido que diminua o desconforto da rotina, a resignação pessoal diante do cômodo e dos mitos.  É isso, um livro que se propõe à extinção do mito da resignação. Quem conhece o Caco Ishak sabe muito bem do que estou falando. Nesse autor, uma singularidade: o abandono como ponta de sonho, como necessário em meio ao caos para que possamos lembrar que no fundo, no fundo, ainda somos humanos.” (Paulo Scott, 2006) PDF

Antologias:

captura-de-tela-2016-12-12-acc80s-22-17-41Com seleção e organização de Francisco José Viegas, esta é a primeira antologia publicada em Portugal da novíssima poesia brasileira, um desafio a que o leitor atravesse o Atlântico em busca de outros versos escritos em português. É mar alteroso e profundo para a poesia — que cada vez tem mais dificuldade em sair de circuitos reduzidos e fechados. O poema convive estreitamente com a solidão dos seus criadores. Num meio tão atomizado e individualizado, em que cada poeta cria o seu próprio universo e linguagem, desenvolver um exercício de arrumação, estética ou até geracional, seria um ato de profunda arrogância e uma inevitável traição à diversidade de vozes que se apresenta neste volume. Uma mostra de quase duas dezenas de poetas brasileiros com obra publicada exclusivamente no século XXI.

capa_ficcionais_vol2-1Publicada pela Cepe Editora e organizada por Schneider Carpeggiani, a coletânea reúne 30 ensaios de escritores falando do processo de criação de suas obras. Angélica Freitas, Micheliny Verunschk, Ana Paula Maia, Andrea del Fuego, Luci Collin, Débora Ferraz, Maria Valéria Rezende, Carola Saavedra, Paula Fábrio, Sérgio Sant’anna, João Almino, Ronaldo Correia de Brito, Marcelino Freire, Estevão Azevedo, Tiago Novaes, Bruno Liberal, Silviano Santiago, Everardo Norões, Raimundo Carrero, José Luiz Passos, Caco Ishak, Antonio Geraldo Figueiredo Ferreira, Julian Fúks, Antonio Xerxenesky, Antonio Carlos Viana, João Paulo Parísio, Luis Henrique Pellanda, Eucanaã Ferraz, Adelaide Ivánova e Sidney Rocha.

g0lpe_rodrigo_sommerO Golpe de Estado no Brasil em pleno Séc. XXI inspirou 120 escritores e artistas, grupo este formado por Ana Rüsche, Carla Kinzo, Lilian Aquino e Stefanni Marion, a realizar Golpe: antologia-manifesto. Trecho da carta à Camarada Don’Otoni: “Até quando vamos pensar que a direita é burra? Não é. Há quem confunda política com intelligenza. Há quem não tenha entendido nada sobre o Bessias, jogada estratégica de gênio. Não à toa, os cem anos de reclusão. Questão da mais pura lógica analítica. Dilma sabia estar sendo gravada. Não se trata de apelar pro método hipotético-dedutivo, ao contrário: maior oportunidade pro direito enfim largar mão de vez do positivismo.” Aqui, download gratuito.

npdetcapa“Tom Jobim é um oceano. Suas águas já banharam o cinema, o teatro, a dança e as artes plásticas, sem falar em como parecem nos inundar quando ouvimos sua música — ela nos toma corporalmente, abole a paisagem, apossa-se de nossos sentidos. Faltava a Tom inundar a literatura. Não falta mais. Os 20 contos de Vou te contar, inspirados em suas canções, revertem sua arte à ferramenta que ele respeitava tanto quanto as notas musicais: a palavra.” Organização de Celina Portocarrero. (Ruy Castro, 2014)

npdetcapa“Tudo o que não foi” (2014) é uma coletânea de contos emocionantes e sensíveis de jovens e experientes escritores: Ana Miranda, Bernardo Ajzenberg, Bernardo Kucinski, Bobby Baq, Caco Ishak, Carlos Eduardo de Magalhães, Deborah Kietzmann Goldemberg (organizadora), Douglas Diegues, Ignácio de Loyola Brandão, Ítalo Ogliari, Luiz Roberto Guedes, Marcelino Freire, Paula Fábrio, Rubiane Maia e Wellington de Melo. Foi concebida com o objetivo de ampliar a reflexão e o discurso acerca dos acidentes de trânsito que ocorrem no Brasil, pois talvez seja através das artes, da ficção, da dramaturgia, que as pessoas consigam melhor enxergar e perceber o que apenas a razão não tem sido capaz de fazer — o quanto a vida do outro é muito mais importante do que qualquer gole de imprudência e irresponsabilidade.

Advertisements