CULPA

está no ar: culpa.cc — pré-venda até o dia 27 de maio, com 15% de desconto.

atenção: tiragem limitadíssima.

CULPA É FIO CONDUTOR NA ESTREIA DE ISHAK COMO CONTISTA

Após seis anos longe das prateleiras, ao menos em carreira solo, o jornalista e escritor Caco Ishak está de volta com o livro de contos Culpa. Projeto selecionado pelo Edital de Livro e Leitura – Lei Aldir Blanc Pará, trata-se da quarta publicação autoral de Ishak, sua estreia como contista – e independente.

Com orelha de Fernanda D’Umbra e apresentações de André Sant’Anna e Bibiana Leme, capa com arte do paraense Tiago Trindade sobre ilustração do santista Kael Kasabian, o livro traz nove contos, nove histórias de temáticas diversas que compartilham um mesmo fio condutor: a culpa. Nas acepções psicológica, social e/ou jurídica.

A carta de um clandestino político a sua camarada, à esquerda em geral; a tragédia de uma brasileira trancada no apartamento com sua avó morta pela Covid-19 em tempos de quarentena; as memórias de um palestino sobre os crimes de guerra praticados por Israel; um indígena torturado por um fazendeiro e seus capatazes por causa de um bucho de boi; a alienação parental contra um pai que se assumiu homossexual após o divórcio; uma menina de rua engravidada por um padre; a vingança de uma gangue do Jurunas contra um jornalista chapa-branca; uma vida impune de acidentes no trânsito causados por um playboy; um publicitário machista e abusivo que decide agenciar mártires da sociedade. Gatilhos por todos os lados.

Personagens de um cotidiano bélico, doloso em sua falta, que teima em não ser esquecido pois simplesmente não há perdão possível. A mensagem é clara: somos todos culpados. Para ficar nas palavras de José Saramago: “Tanto é o que precisamos de lançar culpas a algo distante quando o que nos faltou foi a coragem de encarar o que estava na nossa frente.”

Devido à pandemia, não haverá lançamento presencial do livro. Com tiragem limitada, a pré-venda, que será realizada no site culpa.cc, começa no dia 21 de abril e segue até o dia 27 de maio, quando Ishak completa 40 anos de idade, celebrados com uma live de lançamento cujos convidados surpresa, local e hora serão divulgados nas mídias sociais do autor – as poucas que ainda restam.

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APRESENTAÇÃO

por Bibiana Leme

Este livro é um expurgo. Sintoma de doença malcurada, herdada, cujo remédio nunca acertamos.

Caco Israque (se lê assim) faz aqui um mea machina culpa. Vivemos, afinal, no tempo dos robôs e dos sistemas. Clicamos em “aceitar” e seguimos em frente, sem nunca ler os termos desta nova sociedade. De(s)controle. Mas as pessoas, por serem mais baratas, ainda fazem o trabalho sujo.

Em nome da facilidade, vemos a realidade se distorcer cada vez mais, todos os dias. Testemunhamos a desigualdade, a injustiça, a sacanagem. E ou sentimos muita culpa ou não sentimos nenhuma. Não conseguimos jamais estabelecer uma relação razoável com a culpa. A justa medida.

Agora, porém, que o céu caiu na nossa cabeça, não adianta negar que estamos vendo, porque ele tem peso. Votamos no professor. Ou ao menos não votamos no torturador. Muito bem. Fizemos o mínimo. Mas quantas vezes fazemos algo pelo simples fato de que é justo? O que você faz quando ninguém está vendo? Que culpas carregamos escondidas?

Não há final feliz garantido para nós. Não há deus ex-machina. Há sujeitos. E sujeitas. Mesmo por trás das máquinas. Nossa máxima culpa, a que nos cabe neste latifúndio improdutivo.

Não conseguimos entender que uma sociedade doente é um indivíduo doente é uma sociedade doente… A tampa da privada de um banheiro público será deixada igualmente suja, para que “alguém” a limpe, esteja ela num shopping center rico ou num shopping center pobre.

É justo que uma criança que ama seu pai, e que tenha um pai amoroso, não precise derrubar o muro da calúnia para conseguir enxergá-lo. É justo que as fronteiras sejam mais gentis com as pessoas que com as mercadorias. Que a força desigual não seja jamais usada por quem sabe a dor que ela provoca. É justo viver sem muros. É justo, sempre foi justo. O micro e o macroespaço são reverberações. Juntos habitamos um planeta, mas não conseguimos coabitá-lo. Uma tia gagá desgarrada, uma criança de rua babada e encantada, um poodle sem dentes que achou por bem desertar, vingadores periféricos da memória de uma jovem vítima de feminicídio, toda uma sociedade das margens. Marginal é o que nos cerca. E, no centro deste livro, curiosamente, habita um enfant terrible. A criança que tem tudo nas mãos e não quer. Mas não quer com tamanha força que precisa destruir tudo que tem. Tudo que existe.

As palavras de Ishak são capazes do asco e da frase mais saltitante. Psicógrafo de uma vida que oscila a cada segundo entre a luz e a sombra. Quem bate à porta traz a janta ou a morte? A resposta está em nossas mãos, como contou Toni Morrison em seu discurso do Nobel: algumas crianças vão a uma anciã cega para pregar-lhe uma peça e perguntam se o pássaro que têm nas mãos está vivo ou morto. Eu não sei, mas está em suas mãos, diz a mulher. A resposta entre a vida e a morte passa pelas nossas mãos todos os dias, em maior ou menor escala.

Coabitar é risco. Escrever é risco. Coabitar o espaço mental com o outro. A outra.

Aqui jazem os cacos de Ricardo Ishak.

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debutante

quinze anos do má reputação. sempre mui bem acompanhado. lançamento no lendário café imaginário, em belém.

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revista acrobata

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pontas soltas, apagadas
emaranhando-se em cemitérios
à espera de quem lhes reacenda memórias
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esse e mais quatro poemas do meu próximo livro (até agora batizado de elle) foram publicados na revista acrobata, do mestre Demetrios Galvão. agradeço demais o espaço. confere lá.
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de modo geral

dmg
tive o prazer de participar falando da situação no pará, em especial: belém e salinas. marajó merecia destaque, falha minha. agradeço a paulo scott, andrea del fuego, jp cuenca, mauro dahmer e aos demais convidados. youtube e spotify.
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O incloroquinável Napoleão de hospício contra o mundo

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Bolsonaro é um genocida. Na era digital, comparável apenas a Mubarak (não à toa, os dois únicos presidentes até hoje censurados pelo Twitter). Um a um, de aperto em aperto de mãos, com ou sem contágio vai exterminando o próprio povo. Vale-se de um vírus para tanto, o mesmo que assola as fronteiras para além de seu umbigo.

nova crônica pro le monde diplomatique. na íntegra, aqui.

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amores em quarentena

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honrado e feliz demais por participar dessa coletânea organizada pelo marcelo damaso, meu retorno à ficção após três longos anos hibernando. acordei ao lado de um monte de gente massa. confere lá. link pro download (na faixa) aqui. boa leitura.

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minha estreia no le monde

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Por mais inebriante que seja, portanto, a liberdade de Lula após quase dois anos na cadeia sem que tivesse direito a um julgamento justo e imparcial, e em meio a um governo fascista que se valeu da democracia para a cada dia promover um novo golpe contra a sociedade brasileira, caso não encararmos com urgência e a devida honestidade intelectual certas questões, corremos o risco de sermos assombrados pelas consequências de nosso porre incauto nas décadas que virão. E nem são tantas assim. Basicamente uma: por que simplesmente não anular a sentença condenatória de Lula?

sonho de adolescência realizado. agradeço o espaço a todos os envolvidos. na íntegra.

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revista philos

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a revista philos publicou a tradução feita por juan pablo villalobos de um dos capítulos do meu próximo romance, ainda sem nome, tradução essa publicada originalmente na coletânea nosotros.

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corpo opaco

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tive a honra de escrever a orelha de corpo opaco, livraço de poesia de flávio nassar.

No mínimo, caros leitores, um livro necessário. São vários os corpos que formam este Corpo Opaco de Flávio Nassar. Suas mulheres dão o contraponto ao arroche de bagos da conjetura nacional: possível gênesis – “não há formigas”, Leocádia, “só cactos intratáveis”. Nassar é um ladies’ man. Verbaliza-se no que tem de mais honesto: a outra. Odes; disputa nenhuma pelo protagonismo. “Sê inútil”, um brinde e ciao.

Passemos ao outro. Ao símio que “não trai símio”. Ao homo que trai. Ao “sumano homem [sábio]”. Ao corpo opaco em si, “roto usado gasto”, ao corpo “segregado”, retratos da pátria, patriotas sem vozes, de-civilizados, aos “destrossos”. Aqui, “nenhuma nova virtude, nenhum novo pecado”. O amor de ratos, cupins, mendigos, fumaça, poeira. “É [sempre] bom lembrar”, afinal, “podemos esquecer”. O amor de um arquiteto pela cidade que idealizou, agora “um discurso fanho”.

Dono (ou tutor) de uma voz tão particularmente singular, que destoa da regionalidade de boutique em voga, quase vinte anos após seu primeiro e único volume de poesia, ARMAGEDON ou a Ressurreição do Engole Cobra (iguaria à margem das prateleiras e ironicamente carregada de um pan-regionalismo supra-linguístico), Nassar enfim dá as caras [e a tapa] para reivindicar o lugar deste corpo opaco ao sol esturricante da poesia brasileira. Ou para que reivindiquem por ele. Nassar, bom lembrar, não acredita em Yoko nem em si. O lugar, todavia, é certo, está guardado.

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by kael kasabian

cacoishak-kael

era pro kael ter ilustrado cada poema do não precisa dizer eu também. o projeto teria ficado bem massa, mas, por conta de percalços tão próprios da vida, não passamos do quinto ou sexto dibujo. uma pena. aí, cinco anos depois, o sacana me sai com essa. mossionei, malandro. que não tardem novos projetinhos. a bem da verdade: preciso.

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