cowboy no paginário

eis que a página-chave da correlação entre o Cowboy e meu próximo romance está exposta no mural do Paginário lá no Mirante 9 de Julho [SP]. não-morte, não-lugar. certeiro, Leonardo Villa-Forte, bem no cu da mosca. grato, meu velho.

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ao sorriso de malu

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leitora de cassandra clare, holly black, thaís barros e… charles bukowski. nem precisava.

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naquela língua

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há poucos dias, foi lançada a antologia “Naquela Língua” da qual tive a felicidade de participar a convite de Tito Couto e Francisco José Viegas, debutando pra lá do atlântico ao lado de baitas e queridos poetas. felicidade ainda maior senti ao ver um verso meu numa rua qualquer de Matosinhos, cidade portuguesa onde a Festa da Poesia é realizada. nunca um verso meu foi tão simples e verdadeiro: há duas semanas, voltei a ver minha filha após quase três anos. 201666 enfim resolveu dar uma trégua. sintam-se felizes por mim como eu estou. obrigado sempre por todo o apoio. obrigado, cosmos.

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estados em poesia – rj

perdão desde já. gravei esse vídeo a convite da mais paraense das cariocas, Maria Rezende, quem arregaçou as mangas e orquestrou com Fernando Ramos e LuNa Vitrolira um bando de malucos de norte a sul do país no espetáculo-coletânea Estados em Poesia – RJ. não pela falta de grana, iria de carona fosse o caso – inclusive pra dar esse beijo de aniversário. os motivos do meu furo porém são os mais nobres e compreensíveis (boas novas em breve, muito em breve, brevíssimo). hoje, no olho da rua, a partir das 18h, lá estarei honrado e regozijando good karma em espírito. e que libertem Rafael Braga!

em tempo: o poema foi escrito em 2014 durante minha estadia em san antonio de los baños. oportuna homenagem a Leonard Cohen no mês de sua partida. obrigado também por isso, Maria.

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fellside

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nova tradução saindo do forno: Fellside, de M.R. Carey, pela Fábrica231 (Rocco).

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welcome to usa, mr. fora temer

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O neo-ditador golpista Michel Temer e seu moleque de recados internacionais José Serra estão em Nova York. Nesta manhã, 20/9, Temer discursou durante a abertura da 71a Assembleia Geral da ONU. Pairava sobre o já corriqueiro incômodo estampado na testa não apenas o espírito do velho comunista Oscar Niemeyer nos ares da Sede da ONU, como também lhe acompanhando desde Brasília aonde quer que vá as já corriqueiras vaias entre coros de “Fora Temer”. Dois agravantes dessa vez: se os espelhos d’água no Distrito Federal não ensejam o confronto entre Temer sempre altivo e seu próprio reflexo, o prédio espelhado na 10017, leste de Manhattan, não deu tréguas ao narciso vergonhosamente nu diante de seus desobedientes civis.

Entre os manifestantes aos portões das Nações Unidas, em meio a cartazes e gritos de desordem contra o atual retrocesso no Brasil, circulava um manual de boas vindas voltado aos gringos que porventura quisessem aderir tão calorosa recepção, o zine “Welcome to USA, Mr. Fora Temer”.

welcome_to_USA_mr_fora_temer.pdf“O motivo da participação brasileira é histórico. Como o Brasil, em 1945, foi o primeiro país a virar membro da ONU, ganhou um papel muito especial no encontro. Até hoje o país discursa na abertura, que reúne mais de 190 chefes de Estado”, ressalta a organização do zine cujos membros por razões óbvias preferiram manter o anonimato. “Lembrando que Dilma foi a primeira mulher a exercer esse papel”.

Como forma de protesto, um coletivo de artistas produziu o zine impresso da forma mais simples e barata ainda hoje em pleno século XXI: com o auxílio de uma boa e velha fotocopiadora, mãe do jornalismo DIY (“do-it-yourself”) pós-mimeógrafo. Como não obstante se trata do século XXI, a versão digital também foi disponibilizada na rede.

GOLPE: ANTOLOGIA-MANIFESTO – De autoria coletiva, o zine reúne memes celebrados na história recente da internet tupiniquim, parte da repercussão internacional, as carimbadas de Cildo Meirelles versão STOP THE COUP distribuídas em notas de dG0LPE_Rodrigo_Sommerólares durante as manifestações do grupo Defend Democracy in Brazil já realizadas em Nova York. Embora a mensagem logo abaixo das charges de dois grandes artistas contemporâneos, Laerte e André Dahmer, não deixe margem a dúvidas: a tradução correta para o que vivemos hoje no Brasil seria “putsch” (um golpe muito bem articulado por meses, anos) e não “coup” (um golpe repentino, inesperado). As charges foram originalmente publicadas em português na Antologia-Manifesto GOLPE, outro projeto artístico-literário que reúne 120 nomes contra a Ditadura Temer, lançado ainda em junho de 2016 e de igual modo disponível online.

“É um momento-chave: o Brasil é um protagonista internacional no dia de hoje, o que vemos é uma tentativa do governo Temer de se passar por legítimo. Protestar é fundamental pra deixar claro o desacordo da população. Que o Temer seja vaiado por onde for. Como nas Olimpíadas. Como nas Paraolimpíadas. Que um imenso #bootemer possa ressoar por aí”, conclama a organização do zine.

Texto e vídeo originalmente publicados nos Jornalistas Livres.

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Camarada Don’Otoni,

Já não sei mais o que fazer com nossa esquerda. A gente fala, fala, não é de hoje, mas quem quer parar de falar um pouco pra escutar? Lembra do que a Ana C. disse pra M. Cecília Fonseca? “Teve época que eu piamente acreditei que bastava ter opiniões de esquerda pra ser de esquerda. A ideologia vinha primeiro. É a política alucinatória”. Em março minha TL estava num surto coletivo, dividida entre 1937 e 1964. Ninguém parecia se dar conta de que não, estamos em 2016. Economia? Desonestidade intelectual é hoje nossa pior crise: assolando (dicunforça) o país desde junho de 2013. O que me faz lembrar do que o Mailer disse, que se “esses movimentos vão conseguir algum efeito político imediato (…) pode ser um efeito negativo”. No caso, acabou dando na eleição do Bush. OK, ele disse isso no século passado. Pelo visto ainda vale. Com certeza valeu em 2013. Espero que deixe de valer o quanto antes. Fato é: após o golpe constitucionalista não tivemos outra opção. O que não quer dizer que não possa piorar. Sabe, eu sei o que esperar da Globo. Eu sei o que esperar dos políticos. O que esperar do judiciário, da PM. Venho aprendendo o que esperar da esquerda com o passar dos anos, tendo sempre em mente: todo ser humano é um monstro em potencial. Vê bem, não se trata de picuinha com A ou B, esquerda caviar ou esquerda avatar, nem é hora de picuinha. Só acho que outras questões tão fundamentais pra além do iMediatismo das hashtags acabam ficando de lado. Fazer-se compreender a sutil diferença entre “coup” e “putsch” por exemplo. Pra talvez conseguir entender de vez no que aquela tormenta polarizada pré-Temer deu: tanto direita quanto esquerda foram responsáveis pelo golpe. Judas deu seu beijo. Enforcou-se de tanto remorso na cadeia. Até quando vamos pensar que a direita é burra? Não é. Há quem confunda política com intelligenza. Há quem não tenha entendido nada sobre o Bessias, jogada estratégica de gênio. Não à toa, os cem anos de reclusão. Questão da mais pura lógica analítica. Dilma sabia estar sendo gravada. Não se trata de apelar pro método hipotético-dedutivo, ao contrário: maior oportunidade pro direito enfim largar mão de vez do positivismo. Onde já se viu, ordem? Importa, quando muito, o progresso. A questão primordial no entanto é: frente a esse Frankenstein sfeziano, “como recuperar a humildade sem cair na inferioridade? E como recuperar as pessoas que eu pisei nessa cavalgada das valquírias?” Como reverter essa onda reaça a tempo das eleições em outubro? Porque sim, temos “eleições” em outubro e outubro é logo ali. Nem quero pensar no desfecho desse desfile da Independência depois das não-Olimpíadas nesse Vermelho Agosto que mal começou. Até quando vamos rir dos Bolsonaro como rimos do Trump? O meme acordou. Já não nos bastava o gigante nessa terra sem João nem pé de feijão? Lembro da vez em que a gente viu aquele filme, “Contos da era de ouro”, sobre o regime do Ceausescu na Romênia, no quanto tu te empolgou com o que chamou de esquerda brinquedão. Talvez esteja na hora, Otoni, de assumirmos cada qual seu brinquedo chapéu mexicano. Atearmos fogo na aldeia espanhola do Tio Nelson e nos embrenharmos pelo que ainda sobra de floresta América Latina adentro sem pedir licença pra malária nem milico.

E que venham, porque hão de vir, os loucos anos 20.

Atento y fuerte. Foco e risco. Porro y suerte.

Nos vemos em breve,

G. Ishak

PS: O casamento segue nos vagões da clandestinidade, mas em bons trilhos. Beijos na Ninoca.

 

[originamente publicado na antologia-manifesto GOLPE em junho de 2016]

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by pedro lucena

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