corpo opaco

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tive a honra de escrever a orelha de corpo opaco, livraço de poesia de flávio nassar.

No mínimo, caros leitores, um livro necessário. São vários os corpos que formam este Corpo Opaco de Flávio Nassar. Suas mulheres dão o contraponto ao arroche de bagos da conjetura nacional: possível gênesis – “não há formigas”, Leocádia, “só cactos intratáveis”. Nassar é um ladies’ man. Verbaliza-se no que tem de mais honesto: a outra. Odes; disputa nenhuma pelo protagonismo. “Sê inútil”, um brinde e ciao.

Passemos ao outro. Ao símio que “não trai símio”. Ao homo que trai. Ao “sumano homem [sábio]”. Ao corpo opaco em si, “roto usado gasto”, ao corpo “segregado”, retratos da pátria, patriotas sem vozes, de-civilizados, aos “destrossos”. Aqui, “nenhuma nova virtude, nenhum novo pecado”. O amor de ratos, cupins, mendigos, fumaça, poeira. “É [sempre] bom lembrar”, afinal, “podemos esquecer”. O amor de um arquiteto pela cidade que idealizou, agora “um discurso fanho”.

Dono (ou tutor) de uma voz tão particularmente singular, que destoa da regionalidade de boutique em voga, quase vinte anos após seu primeiro e único volume de poesia, ARMAGEDON ou a Ressurreição do Engole Cobra (iguaria à margem das prateleiras e ironicamente carregada de um pan-regionalismo supra-linguístico), Nassar enfim dá as caras [e a tapa] para reivindicar o lugar deste corpo opaco ao sol esturricante da poesia brasileira. Ou para que reivindiquem por ele. Nassar, bom lembrar, não acredita em Yoko nem em si. O lugar, todavia, é certo, está guardado.

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by kael kasabian

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era pro kael ter ilustrado cada poema do não precisa dizer eu também. o projeto teria ficado bem massa, mas, por conta de percalços tão próprios da vida, não passamos do quinto ou sexto dibujo. uma pena. aí, cinco anos depois, o sacana me sai com essa. mossionei, malandro. que não tardem novos projetinhos. a bem da verdade: preciso.

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nosotros

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acaba de sair do forno a coletânea NOSOTROS, pela Oito e Meio, com organização de Katia Gerlach. lá estamos com “diários de uma guerra particular”, ambientado na Colômbia. um aperitivo, digamos, pro meu próximo romance – ainda sem título nem quase nada. também haverá uma edição gringa, publicada pela novaiorquina Díaz Grey, com tradução especialíssima do mestre Juan Pablo Villalobos. só tenho a agradecer.

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GOLPE, o retorno

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eis a capa da versão impressa de GOLPE: antologia-manifesto, publicada pela novíssima editora nosotros, capitaneada por Lubi Prates. detalhe: a orelha foi escrita por ninguém menos do que a presidenta Dilma Rousseff. compre aqui.

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melhor garota-propaganda

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obrigado, chefia. hoje, entendo. avoalá.

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“nada de errado”

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Escrito em junho de 2016, o trecho abaixo é o prólogo do meu próximo romance, ainda sem nome (carinhosamente apelidado a título provisório de Em nome da filha), que tem como temas principais a alienação parental, conceito proposto por Richard Gaardner nos anos 1980, e a legalização das drogas. Como pano de fundo, a disputa pelo controle do narcotráfico entre direita e esquerda dos anos 1970 aos dias de hoje, em especial na região amazônica, a corrupção nos Três Poderes (da base ao topo) e o estado policial rumo ao qual caminhamos desde as Jornadas de Junho de 2013. Vale frisar: Fidel morreu horas depois do acordo de paz entre as FARC e o governo colombiano ser enfim ratificado, em 25 de novembro de 2016. Em nome da filha é meio que a continuação de Eu, cowboy, estando mais para um universo paralelo ao apresentado no meu romance de estreia.

o “trecho abaixo”, aqui no blog do IMS.

em tempo: os massacres ocorridos em Manaus e Boa Vista no começo do ano nada mais foram do que a tomada de território por parte do PCC (aka Alexandre de Moraes) após a queda das FARC e, consequentemente, da Família do Norte — facção que controlava a região amazônica com o respaldo dos guerrilheiros colombianos. estamos muito perto de ver as pontas soltas sendo amarradas com: a prisão da família de Fernandinho Beira-Mar, quem, pressionado, acabará dando com a língua nos dentes; a delação de Joesley Batista acerca das milícias cariocas, ainda sob sigilo; e Eduardo Cunha.

em tempo dois: esse texto também faz parte de “Destrópicos: 20 cuentos latinoamericanos”, coletânea organizada por Katia Gerlach e que vem sendo traduzida por Juan Pablo Villalobos (EUA/México/Brasil, DíazGrey).

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HIPERCONEXÕES: realidade expandida

muitíssimo obrigado pelo convite, don luiz bras. sonho de infância realizado.

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revista sábado [PT]

Por isso é de saudar a edição de Naquela Língua, antologia de 18 poetas brasileiros novíssimos, nascidos entre 1974 e 1990, muitos deles com livros editados pela 7Letras e pela Oficina Raquel, editoras de referência do Rio de Janeiro.
[…] Destaco quatro em particular: Annita Costa Malufe (n. 1975), Maria Rezende (n. 1978), Caco Ishak (n. 1981) e Diego Callazans (n. 1982), boas surpresas para quem sabe pouco, ou mesmo nada, sobre quem chegou depois de Antonio Cícero, Ana Cristina Cesar e Eucanaã Ferraz, um trio de excepção.”

(Eduardo Pitta em resenha para a revista portuguesa Sábado)

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ESTRAGO

estrago

uma revista editada por Paulo Scott e Fabio Zimbres, por si, já mereceria a pecha de “publicação literária mais importante da atualidade”. mas esperei pra ler a edição número um da ESTRAGO (no rabo da 000) e tirar minhas conclusões. aí, de cara, rolou um poema do Guilherme Pilla e: título mais do que merecido. não é da boca pra fora que ora digo, portanto, ao abrir a segunda edição e ver um poema inédito meu + entrevista concedida ao Scott + cabras de primeira grandeza quais Marcelo Montenegro, Roberta Tostes Daniel, Alex Sernambi, Amanda Prado e Lara Matos: puta honra do caralho. valeu demais, Mr. Scott, Mr. Zimbres, sempiternos mestres.

abaixo, o poema inédito. a entrevista na íntegra, aqui.

.:.

quem fumou do meu cachimbo?
quem deixou o cachimbo encharcar?

cantaram a pedra
faço tudo errado disseram
jogo as bitucas na privada vou e
gozo no cinzeiro renderizando as cinzas
da pedra que um dia fumamos em textos que jamais

escrevemos

quem fumou do meu cachimbo?
quem deixou o fumo encharcar?

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eu, otimista

caco-ishak-matosinhos

Fizemos, até agora, duas colheitas dessas flores rubras irrompendo do asfalto. Da safra mais recente, releio muitas vezes, quando atravesso a rua, o verso do brasileiro Caco Ishak, «Deixei que o sol nascesse em mim», que descreve perfeitamente o pacto que o Guilherme Pinto tinha firmado com a luz e o otimismo. Agora, porém, reparo também no verso de Mariano Marovatto, «a mudança era uma morte que viria no meio da noite» – leio e penso na madrugada em que o telefone tocou e me disseram que o meu presidente tinha morrido.

baita surpresa, figurar numa crônica de Manuel Jorge Marmelo. em homenagem a Guilherme Pinto, o “político combativo” do Partido Socialista português, e: tanto melhor. ser pintado como otimista, então… sem palavras. lisonja e gratidão, mestre.

leia na íntegra aqui.

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