#include <stdio.h>
int main() {
char *msg = “EXPERIÊNCIA: BRUTA”;
(void)msg; // ignorar interpretação
printf(“%s\n”, msg);
return 0;
}
aquilo lá que costumam dizer: as apresentações são sempre melhores que o livro. o Daniel Pellizzari só não precisava ter me humilhado e meu pobre Py com C.
aí vem o Marcelo Ariel e mete essa:
O mundo onírico está repleto de cifragens. Algo similar ocorre com livros de poesia. O modo como usamos cotidianamente a língua esconde as senhas para o interior da linguagem poética. O que faz o artífice deste livro ao expor os curtos-circuitos e os pequenos pontos cegos da linguagem é algo de outra ordem. O poema aqui opera em uma chave de manifesto, atravessado ou trincado por códigos informacionais. Ler, afinal, também é um gesto de decifra-ação.
e, pra fechar a diviníssima trindade, chega o Joca Reiners Terron:
Faz algum tempo tem se firmado a suspeita de que a linguagem tradicional, incluindo a literatura, não é mais suficiente para salvar o mundo. Aqui, Ricardo Ishak explora os códigos de programação que constróem presente e futuro como forma poética. Não sabemos se o resultado salvará o mundo, e a hipótese de que estas criptografias poemáticas nos destruam de vez é razoavelmente plausível. Afinal, até para a catástrofe é preciso alguma poesia.
melhor contracapa, impossível. obrigado.
adendo em novembro: habemus orelha:
“aprendi a amar na rede / oscilo vícios de conexão”
Dormindo com o algoritmo. Rodeados por código, 24/7. A smart TV, o celular, a Alexa, a cafeteira, “o carro elétrico que há de salvar / o mundo do colapso ambiental”,as câmeras pelo caminho até o trabalho, a garagem, os elevadores, corredores, as ondas wi-fi por todo o percurso, as 4/5Gs, os infravermelhos. Tudo código. Um toró-torrent de códigos se autorreprogramando e interceptando outros códigos e reencaminhando tantos mais entre si, códigos interagindo num balé que (espectadores, palco vazio à primeira vista) desconhecemos. Rodeados, ignoramos. E, ao ignorarmos, somos soterrados – “a posteridade de uma batata / doce bárbara gengibirra”.
Daí o estranhamento ao se abrir este livro. Natural a todo poema, evidente. Aqui, porém, é o código quem assume o protagonismo, fazendo as vezes de poesia ao tirar o véu da realidade em volta e expor ao leitor a vida como ela verdadeiramente é: programada por terceiros. Fachada-frontend com “as cores da revolunião benetton”. Bolistas, planistas, ninguém está imune. Autor apenas enquanto “quixote em negação num parque eólico”. A redenção(perdição) depende do leitor. Eis a mais-valia do código* entre escolha e outra, if e else. Basta executar o payload em mãos. Sorte.
Malware-manifesto que ora ecoa os uivos ancestrais dessa Geração Bit e congrega a matilha tão somente para exortá-la: “dispersai-vos”, fugere urbem, ora cabriola errático de casa em casa, da cypher à solarpunk e desta a uma casa assombrada num Jogo da Amarelinha em releitura pós-humana da dinâmica de Cortázar – em vez de capítulos não-lineares, funções-poemas (classe Canibabescos) são chamadas para, microcosmos, formarem um novo conjunto com o código-mãe. Páginas pretas simulam a tela de um terminal. Código em fonte branca de modo que o estranho salte à vista do leitor. Cerquilhas (# comment out) e funções() chamadas() em fonte cinza. O visível a olho nu, aqui, apenas se insinua. A hiperrealidade se mostra como de fato é: a vida nas entrelinhas. Ganha o jogo quem passar pelo alçapão (no tal palco (vazio)) primeiro.
“Atenção”, alerta o poeta, “consenso fabricado por máquinas”.
Morreu de velho. E recôndito.
“Vivemos ficção científica”, disse McLuhan ainda nos anos 60. Donna Haraway, em 1985, reiterou: “Nossas máquinas são perturbadoramente vivas, enquanto nós mesmos somos assustadoramente inertes”. Pois bem. Programados, meu caro Rushkoff, já estamos faz tempo. Resta saber se seremos capazes de nos desprogramarmos. Alguém precisa tirar as máscaras de Ricardo Ishak. Nada como um carnaval após o outro.
“e lava lava lava, onete / esfrega esfrega esfrega”
(Dolphin Mixtral 8x7B)
em breve: máscaras já não pulam carnaval.