npdet no diário do pará

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“Esse livro é sobre amor, diz-que”, explica modestamente o escritor e jornalista Caco Ishak, 32 anos, quando questionado sobre o teor do mais recente livro “Não Precisa Dizer Eu Também”, que será lançado hoje à noite na livraria Fox. “Não sobre minhas mulheres, mas para elas. De um jeito que, talvez, possa acabar sendo para outras tantas. E tantos. Se chegar a tanto. Se é sobre amor, logo, é sobre mentiras e traições. Assim, sobre a vida. Nada muito esclarecedor, porém”, segue a divagar sobre o trabalho que chega às prateleiras após um hiato de quase sete anos após o último título publicado.

Na obra constam 36 poemas escritos entre 2007 e 2010 que traduzem às esperanças e dores indissociáveis do amor. Mas este sentimento não permeou a ideia inicial das letras deste livro, contudo emergiu diante dos olhos do autor graças às sensações suscitadas após a leitura de cada poema. “Não pensei: vou escrever um livro de poemas sobre o amor. Só vou escrevendo, sobre amores, vícios, meus gatos, minha filha, Michael Jackson (ela é fã), meus discos, meus filmes, pão com manteiga e Toddy, urubus, o Jurunas, Belém, Goiânia, um banheiro. Susan Miller (escritora), por quem nutro um carinho especial. Só vou escrevendo. Quando achei que já tinha material o suficiente para um livro, tentei botar alguma ordem no terreiro, amarrei as pontas e voilá. Ou seja: nada em especial”, conta Caco.

PRODUÇÃO INTENSA

Nos quase sete anos que ficou sem publicar um livro, Caco não ficou parado, a produção nesse período foi intensa e não apenas no que diz respeito à literatura. “Minha filha tem nove anos, daí tu tira. Não a reproduzi nesses sete anos, mas deu trabalho. O melhor de todos, por supuesto. Talvez, o que tenha feito com que eu começasse a escrever o livro, em 2007”, argumentou Caco.

Segundo ele, em 2009 passou duas semanas trancado em um quarto de Salinas. Era abril e ele escrevia a primeira metade de um romance. “Tive que voltar para realidade, para Belém, e só pude retomar em setembro, quando me mudei para São Paulo, mas antes dei uma passada no Rio, onde escrevi o resto em outras duas semanas. Cheguei a mandar pra alguns amigos, mas está na gaveta desde então, à espera de revisão. Um dia, tomo coragem. E, sobretudo, sobra tempo”, diz sobre o romance “Eu, Cowboy”.

Caco foi tocando outros projetos, escreveu alguns contos, “algumas bulas, muita mentira, e o argumento de uma graphic novel”, comenta. “Parece piada, eu sei, provável que seja, mas, se pouca coisa der errado, começo o roteiro ainda no primeiro semestre, paro o Fábio Vermelho (ilustrador) poder dar início aos quadrinhos. Enfim, fui pra São Paulo fazer mestrado, o que acabou tomando um bom tempo da minha vida. Concluí só em 2012 porque resolvi me meter com projetos culturais do meio pro final. Casei pelo caminho. Tentei formar uma banda. Hoje, estou traduzindo o primeiro livro”, destaca.

PERFIL

Caco Ishak é paraense de Belém, onde mora desde os cinco anos, embora tenha nascido em Goiânia, em maio de 1981. Escritor, jornalista e tradutor literário, quer começar ainda no primeiro semestre de 2013 a trabalhar na revisão de seu primeiro romance, Eu, Cowboy, escrito em 2009 ao longo de quatro semanas divididas entre Salinas (PA) e Copacabana (RJ).

Foi idealizador e curador da primeira galeria virtual brasileira, baixo.calão (2007-2010), voltada à arte urbana e ao lowbrow. Acabou virando Mestre em Epistemologia da Comunicação pela USP.

(Elias Santos — Diário do Pará)

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