eu, tu… eles não

Como falam corretamente os paraenses, não? Última província brasileira a aderir à Independência (mais por conta da estreita relação da aristocracia local com a coroa portuguesa do que real expressão da vontade popular), alguns “costumes” provincianos de fato teimam em resistir. Em especial, nossos contra-cabanos linguísticos. Pois bem. Eu, Pasquale.

E não, não falam. Ainda bem. Ou melhor: falam sim. Uma língua legitimamente urbana, viva e em constante mudança. Como deve ser. E é justo o que, linguisticamente, a cultura paraense tem de mais curioso. Um cantarolar todo próprio, construções gramaticais próprias, expressões, ainda que próprias de toda uma região.

O uso pronominal, por exemplo, e o que mais me fascina. A predominância entre os cabocos (sem L mesmo) se dá no que chamo de dialeto “parayoda” — o pronome vai (ou repete-se) ao fim da sentença:

— Tu sabe dela, tu? Quede ela? Tá lá no teu setor, ela?

— Num sei de nada não, eu. Sou trabalhador, eu, mano. Num sou bandido eu não, eu.

 

(leia o resto no Livre Opinião — Ideias em Debate)

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About caco ishak

deu pau no servidor da verbeat
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