cowboy na diversos afins

O grande Sérgio Tavares sendo o grande Sérgio Tavares nesta providencial leitura do Eu, Cowboy, resenhado pra revista Diversos Afins em site repaginado.

Ishak empreende esse efeito aleatório no desenvolvimento (ou esboroamento) da narrativa, coadunando maciços de texto, diálogos longos e curtos, e-mails, palavras em caixa alta, verbetes de dicionário e trechos de música em inglês. A voz, em primeira pessoa, por vezes rompe os limites internos e se dirige diretamente ao leitor, mostra consciência de que está numa obra de ficção. Passado e presente se intercalam de maneira incessante (quando não se sobrepõem), em saltos temporais que se localizam nos anos 90 e no começo dos anos 2000.

O entender corrosivo destas duas décadas, aliás, é o ponto alto do livro. Embora não deixe de desfilar, por meio de seu protagonista, reflexões carregadas de uma filosofia torta, o autor constrói sua ambientação por meio de referências que vão da cultura pop a fatos históricos. Informações sutis, sugestões, o que hoje é conhecido, na cartilha cinematográfica, como easter egg. De nomes de bandas a títulos de canções que evocam bandas, da MTV ao 11 de setembro, do grunge à uma ressaca permanente, um ressaibo de que tudo se podia, ainda que não se quisesse nada, há iscas para interpretações por todo o romance.

(…)

Enfim, “Eu, Cowboy” é uma experiência mobilizada por sensações, vozerio e muita fúria que se assemelha a uma locomotiva em pleno movimento que, tal uma locomotiva em pleno movimento, não é fácil de embarcar.

agradeço demais o cuidado e a generosidade. continue lendo aqui.

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About caco ishak

deu pau no servidor da verbeat
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